O meu mais próximo em tempo de covid

Newsletter Agosto 2020

O Centro Social e Paroquial São Francisco de Paula apoia pessoas em carência, solidão e isolamento da Freguesia da Estrela.

A todos os que nos pedem ajuda procuramos dar uma resposta com Vida, com Amor. Para que qualquer encontro seja um novo caminho que se abre na vida de uma pessoa – em contexto normal e em contextos especiais e difíceis, como tem sido ao longo do Covid. Mas sempre com o mesmo grau de entrega, o mesmo sentido de serviço, a mesma dedicação.
E a verdade é que tendo sido possível não parar, redobramos os esforços para atenuar a solidão e saciar a fome de tantos… e nos obstáculos ultrapassados, crescemos na resiliência; nos medos superados, crescemos na confiança; no sofrimento de tantas vidas, crescemos na compaixão; nos apoios recebidos, crescemos na gratidão… e por tanto amor, crescemos na Fé!
Do 1º semestre de 2020 fica a certeza de que este Centro é muito mais do que cada um de nós mas que a parte da vida que passa por mim é para chegar alguém. E não chega se eu não a der.

Assim, agradecemos a todos os que através do Centro fazem viver… mais ainda em circunstâncias tão duras e áridas. Por isso, e também em nome de cada um, agradecemos a confiança, a generosidade, a entrega, a coragem e o exemplo de desprendimento e de serviço.
– A quem anonima e generosamente contribuiu ou contribui com donativos para podermos incluir quem mais precisa; aos voluntários que de diferentes maneiras se desdobram e entregam com amor e coragem para chegarmos – e chegarem – a todos;
– a todas as entidades que habitualmente nos apoiam e às que de diferentes maneiras se envolveram/envolvem: Junta de Freguesia da Estrela; Fundación Profesor Uría; CUF; JLL; Refood, Centro Social do Sagrado Coração de Jesus, Gleba;
– aos seminaristas do Seminário dos Olivais que têm acompanhado espiritualmente os nossos utentes e ao Grupo de Mães do Movimento de Schoenstatt que todas as semanas fazia e entregava presentes para os utentes;
– aos colaboradores do Banco Santander pelo generoso donativo;
– à Think Positive pelo contínuo apoio na divulgação das nossas ações;
– à Carlota Mantero, pela reportagem fotográfica mas sobretudo pela maneira como se entregou de alma e coração, revelando nas imagens o amor que nos move e a vida que (re)nasce de um encontro;
– a quem nos acompanha neste caminho.

Obrigado!

Ao abrigo do protocolo de colaboração com a Segurança Social e no âmbito da convenção da rede solidária de cantinas sociais para o programa de emergência alimentar, temos apoio para 14 refeições. Antes do Covid e graças aos apoios recebidos, estávamos a dar 20 refeições. Hoje, estamos a dar 134 refeições diariamente em Cantinas Sociais. Umas pessoas vêm buscar ao Centro; a outras, levamos a casa, em função da idade e do estado de saúde.

Em tempos “normais”, quem quer, pode almoçar no próprio Centro, com idosos do Apoio Domiciliário. Em contexto Covid não podemos ter estes Almoços d’Encontro mas o acolhimento e relação com cada pessoa tem sido sempre no sentido de maior Alegria e Esperança. Seja na entrega em casa, seja no Terço que rezamos no átrio da Igreja com os que se querem juntar, seja na preocupação por cada um, na conversa, no desabafo… o objetivo é que todos se sintam acolhidos com amor.

Em Apoio Domiciliário deparamo-nos diariamente com a dura realidade do isolamento e solidão. Nestes meses de confinamento, esta situação agravou-se porque além de muitos idosos terem sido abandonados pelas próprias famílias, a condição psicológica e física de todos deteriorou-se num ritmo muito acelerado.

Paralelamente, deixamos de poder fazer os almoços diários no Centro, o que fez recuar o que de Alegria e Vida tantos tinham recuperado, bem como o sentimento de serem família de alguém.

Era urgente compensar, e continua a ser, a tristeza que se abateu sobre as suas vidas. Nos cuidados de higiene e entrega das refeições, fazer chegar o sorriso escondido atrás da máscara. Acalmar, escutar, animar… em cada momento nosso com eles, todo o amor. E foi possível aliviar o sofrimento também na entrega de Nossa Senhora de casa em casa, nas visitas a cada um, mesmo à janela, no apoio a desconfinar, com almoços no jardim, pequenas caminhadas…

Também logo os voluntários aceitaram o desafio de “adotarem” por telefone os idosos em maior solidão. Telefonemas diários de seminaristas, para acompanhamento espiritual; telefonemas de famílias, agora alguns encontros e passeios; acompanhamento espiritual; entrega de mensagens e bolinhos que faziam para lhes entregarmos…

A cada um todo o amor

Quinzenalmente entregamos no Centro cabazes de banco alimentar a famílias carenciadas. Também nesta valência o número de famílias a precisar de apoio continua a aumentar. Sempre mais do que na vez anterior.

Nunca deixamos de ter voluntários. Nunca os voluntários colocaram o medo à frente das necessidades do Centro e dos outros. E em cada 15 dias, no levantamento de alimentos no Banco Alimentar, na constituição de cabazes e entrega dos mesmos, seja no Centro, seja em casa das famílias, a ajuda tem sido maravilhosa. Pessoas que conhecem da vida do Centro e ajudam; voluntários da JLL que têm sido incansáveis nestes dias, tanto no que ajudam como no que oferecem para enriquecer os cabazes…

Sem os voluntários não seria possível inscrever tantas pessoas que precisam, até agora, 58 famílias.

O Centro tem uma sala de Jardim de Infância, com um programa adaptado à realidade do Centro, sendo possível conciliar o projeto curricular com uma componente única de relação e atenção ao próximo, essencialmente por juntarmos num só espaço crianças e idosos.

Sem perder a qualidade pedagógica e sendo a missão do Centro a entrega ao Meu Mais Próximo, cultivamos em cada criança o sentido de verdade, de sensibilidade, de justiça, de família e de amor.

Nos meses de confinamento, o Meu Mais Próximo foi também cada criança e cada família do nosso Jardim de Infância. Não apenas no acompanhamento individualizado, como também pela maneira como procuramos ir ao encontro da realidade financeira da maior parte das famílias que, devido ao desemprego, se tornou, em muitos casos, praticamente insustentável.

Na reabertura das actividades, pelo facto de muitos pais estarem em casa, não enviaram os filhos para a escola. As poucas crianças que vêm, sentem-se felizes e acompanhadas, por sentirem o espírito familiar que nos caracteriza. Por outro lado, além de atenuar as possibilidades de contágio num Centro que lida com pessoas de saúde frágil, permite que toda a preparação do próximo ano lectivo, com as limitações que o Covid impõe, seja feita com calma e ao pormenor.

Na verdade, o que esta realidade tem de difícil, tem de bom também… no que sobressai de generosidade, nas pontes que se constroem entre vidas e no amor que atravessa nos dois sentidos… mas, acima de tudo, porque em cada história que cruzamos, refeição que oferecemos, pessoa que acolhemos, ajuda que recebemos, é uma experiência de Evangelho que vivemos…